OBSERVANDO A MONTAGEM DO REPERTÓRIO – PARTE 1

"Artigos", by: - 21/09/2017

(…)Infelizmente muitos artistas se preocupam mais com os figurinos das sessões de fotos e encartes ou ainda, com as cordas da Orquestra Sinfônica de Berlim, com o set de guitarras, o ar condicionado do estúdio, a lista dos agradecimentos, o fotógrafo e o designer de griffe, o projeto do MySpace e outros aspectos secundários do que com a montagem do repertório.

Na verdade, esse é o ponto mais importante e crucial para um projeto musical e é justamente onde muitos artistas, mesmo os mais experientes, têm errado sistematicamente(…) Já soube de casos em que o artista conseguiu fechar um repertório em míseros 10 dias de busca. Assim, começa-se literalmente errando e errando muito feio!

(…) A escolha do repertório deve ser acompanhada por uma pergunta padrão que certamente contribuirá para a definição das músicas. (…) O que justifica esta música no repertório? Se a resposta for convincente, pronto! ela fica no repertório, se não for 100% firme, então descarte a música.

O processo de seleção deve ser o mais criterioso possível. Nessa hora não vale a pena querer agradar o tio, primo, namorado, esposa, o pastor de sua igreja… nada disso! (…) Se você também é compositor além de intérprete, seja o mais criterioso possível! Não aceite suas composições sem que antes uma infinidade de pessoas possam conhecer melhor suas músicas. Agora, o importante é que estas pessoas sejam sinceras e também tenham o mínimo de background musical, afinal você precisa de balisamento e não de bajulação, certo?

(…) Pense na escolha de no máximo 12 canções. O ideal mesmo é que a bolacha tenha 10 faixas produzidas, pois se em 10 músicas você não conseguir passar o seu discurso e idéias, não será em 12 ou 14 canções que irá fazê-lo. Pense que manter uma pessoa exclusivamente ligada, escutando o seu projeto por 45, 60 minutos é um desafio grande. Então seja o mais direto possível e em poucos minutos mostre seu valor e aguce a curiosidade sobre seu repertório.

Existem CDs que as músicas são tão bem selecionadas que o ouvinte se abstrai do tempo e consome agradavelmente as canções em 50 minutos de intenso prazer auditivo. Outros em menos de 15 minutos são uma epopéia de chateação e agressão sonora. Cuidado para não criar uma animosidade imediata ao seu trabalho. Isso é fundamental!

Uma montagem de repertório é como uma receita de bolo(…) Qual é o seu estilo musical, qual sua principal referência? É o pop rock? Então 5 faixas do CD deverão ser neste estilo. Inclua uma pitada de 3 baladas mais lights e 2 mais músicas conceituais, menos comerciais mas onde você possa expor sua versatilidade musical. Esta é uma dica que deve ser adaptada por cada estilo artístico, mas o conceito é geral.

A escolha da ordem das músicas também deve ser observada com cuidado. Nas 3 primeiras faixas você tem que mostrar literalmente para que veio. Se a primeira impressão é a que fica, então você não pode perder esta oportunidade de apresentar seu projeto naquele tempo exíguo. A quarta faixa deve ser mais light, dando um “refresco” na sequência anterior. Isso deve ser bem conversado com seu produtor musical. A definição das músicas deve se dar em comum acordo.

Se eu tivesse que resumir este post a uma só dica, diria o seguinte: apenas dê o start na produção após ter certeza quase absoluta (porque 100% é praticamente impossível!) da escolha do repertório. Lembrando ainda que um repertório só é finalizado após a prensagem do CD em fábrica. Temos inúmeros casos de hits que foram inclusos nos CDs nos últimos instantes da produção ou até mesmo após a masterização do CD, afinal ninguém pode justificar a exclusão de uma música de qualidade, certo?

Por Marco Santos – Gostaria de acresentar um detalhe: Muitos cantores erram ao pedir músicas a compositores famosos e afrouxar os níveis de exigência para permitir a entrada da música do “fulano do momento” com a intenção de trazer status pro trabalho. Infelizmente o que vou dizer é uma realidade: alguns compositores famosos guardam suas melhores músicas pros cantores também famosos e as composições menos promissoras eles enviam aos iniciantes ou não-famosos cobrando o preço do seu nome e não o real valor da canção. Então preste atenção: Escolha sempre pela música! Peça músicas a compositores famosos e não-famosos e seja igualmente exigente em ambos os casos.  Particularmente eu prefiro ter a pérola de um compositor não-famoso a ter o trivial de um compositor famoso.

Autor: Carlos André Gomes Fonte: Blog Observatório Cristão