Etapas de uma produção musical

"Artigos", by: - 08/06/2017

Release

Etapas de uma produção musical:

1 – Escolha de repertório.

Nessa etapa vamos avaliar o conteúdo da canção, a mensagem que ela passa e os detalhes que podem ser trabalhados no arranjo. Não avalio qualidade, timbre, nem execução, apenas a canção. Se o artista não tiver repertório completo ou não tiver opções de escolha, fazemos contato com compositores talentosos que são nossos parceiros e que colocam suas obras à disposição. Em minha rede de parceiros, muitos têm músicas gravadas por cantores de sucesso nas gravadoras MK Music e Graça Music. É importante ter em mente que o que estamos vendendo não é uma caixa de acrílico com uma foto bonita, mas sim, o conteúdo intelectual, as canções, a mensagem e as emoções que transmitimos através das músicas. Então podemos dedicar até 40% do tempo de uma produção na escolha de repertório. Caso não tenha lido ainda, não deixe de ler os artigos sobre a montagem do repertório: clique aqui.

2- Pré produção e arranjos.

Através de um briefing que é preenchido no início da produção, procuro absorver o máximo possível da personalidade do artista, seu estilo, seu gosto musical e seus anseios acerca do trabalho. Depois de collher algumas ideias e estabelecer referências, terei grandes chances de acertar no arranjo.

Já na pré produção, gravo de forma rápida e sem tanto compromisso com qualidade e execução um rascunho da música para testar e ter uma idéia mais concreta de como vai soar. Se houver músicos extras contratados, pode ser que eles já participem dessa etapa. É aí que vamos sentir o que realmente se confirma como boa idéia e o que não funciona. E é onde surgem ideias novas também, que aos poucos vão esculpindo o que será a versão definitiva da música. Ao final desses trabalhos envio o resultado para o artista avaliar e somente depois de aprovado, partimos para nova etapa.

3- Gravações de base ( instrumental )

Esse é o momento em que o foco é a qualidade. As ideias já foram definidas na pré. Se algum material gravado na pré já estiver com qualidade satisfatória, ele pode até ser aproveitado, mas o material que será gravado agora tem toda atenção voltada à execução, timbre e interpretação. Iniciamos essa etapa sempre com a Bateria Acústica e então partimos para o contra-baixo, guitarras, teclados e assim por diante.

4- Gravações de back vocal

Com o playback pronto e uma voz guia gravada, iniciamos os arranjos do backing vocal. Tenho uma equipe formada por cantores profissionais e que já trabalham a um bom tempo no ramo. Agiliza muito trabalhar com eles, pois devido à prática e ao entrosamento, são muito rápidos nas idéias e gravações. Caso o artista queira desenvolver com sua equipe, envio os playbacks e marcamos uma data para as gravações, mas nesse caso o arranjo fica à cargo do cantor e de sua equipe. Pode ocorrer a cobrança de uma taxa extra referente às horas excedentes ao pacote combinado, se houverem.

5- Gravação da voz final

Com o instrumental e backing vocal prontos, é hora de gravar a voz definitiva. Quando possível, é importante ter uma pessoa cuidando da direção de voz para auxiliar durante as gravações quanto à interpretação, afinação e tempo. No estúdio temos os mais modernos corretores de afinação de voz, que não distorcem o timbre natural do cantor, mesmo em correções mais drásticas. Assim temos certeza de conseguir registrar sempre a melhor interpretação.

6- Mixagem

Quando gravamos, criamos diversos canais. Alguns projetos podem ter mais de 70 canais! Na mixagem, basicamente o que se faz é colocar cada elemento no seu “lugar”, com a quantidade ideal de efeitos, processamento e volume. Porém mixar é muito mais do que isso. Produtor MusicalUma mixagem bem feita transporta o ouvinte para um cenário onde a música acontece. É possível sentir a música tridimensionalmente, distribuída em um ambiente com altura, largura e profundidade (veja ilustração). Pensando dessa forma ganha-se mais espaço e a possibilidade de distribuir mais elementos. Esse é o pensamento dos grandes profissionais da mixagem!produtor musical

É a mixagem que define a sonoridade da música. Ela afeta totalmente a qualidade do seu trabalho, podendo inclusive adicionar uma “personalidade” ao seu som. Vejo muitas pessoas economizando na hora de fazer a mixagem e depois querendo salvar o trabalho na masterização. Esse é um tremendo engano! Ao final da mix, o material que você terá já é 95% da sonoridade do seu CD e a próxima etapa que é a masterização influencia muito pouco na questão sonoridade. É uma etapa mais técnica do que artística enquanto a mixagem é 50% técnica e 50% artística.

7- Masterização

Masterizar é criar o CD que servirá de base para reprodução. Na mixagem, as músicas são trabalhadas individualmente. Na masterização o trabalho é visto como um todo. As músicas são colocadas em seqüência e trabalhadas para que o CD soe coerente do início ao fim de forma que ao ouvir o CD inteiro, não seja necessário alterar nada no aparelho de som.

Nessa etapa são trabalhados aspectos como o espaço no início e no fim da música; fade in e fade out, ganho e diferenças de volume entre faixas, diferenças de equalização, possíveis ruídos, etc.

É na masterização também que deve ser inserido o ISRC ( International Standard Recording Code ). O ISRC é o registro do fonograma, a obra produzida, que serve pra identificar todos os profissionais envolvidos no trabalho. Quando uma música é executada publicamente por rádio, televisão, shoppings ou outros meios, é recolhido um valor referente aos direitos sobre execução pública daquele trabalho e é através do ISRC que as associações e o ECAD identificam os profissionais que trabalharam naquela produção e repassam os valores devidos a cada um dos envolvidos.

Ao final do processo, o cliente terá em mãos o CD MASTER que é o CD usado como base para reprodução.

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